domingo, 17 de outubro de 2010

REFLEXÕES PRIMAVERIS.

Palavras-chave: ética-ambiental, sustentabilidade, natureza, redes de conexão.

“Uma espécie some a cada vinte minutos”
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Não sou um humanista, os seres humanos são a maior ameça que o plantea enfrenta. Defendo a superação do humano e busca pela pós-humanidade. Sou um conservacionista, ou um biologista. Minha luta é uma luta pela preservação das diversas formas de vida no planeta que vem sendo devastadas. Não tenho carro, ando de bicicleta ou transporte coletivo, como carne uma vez por semana e faço meus próprios produtos de limpeza com materias nautrais que não agridem o meio-amibiente.
Um dos aximoas que governa minha vida é perguntar se minha ação é uma ação sustentável. Se mais pessoas agissem dessa maneira o mundo seria um lugar melhor? É como o imperativo categórico de Kant, mas voltado para uma bem estar não só dos outros seres humanos, mas da vida no planta de maneira global.
Está na hora dos verdadeiros filósofos saírem da caverna chamada Academia e voltarem sua atenção para a realidade. Não adianta nada fazer arqueologia de ideia ultrapassadas para expo-las em um museu do pensamento ao qual ninguém tem o interesse de visitar. Muitos dos estudos e artigos que leio são completamente estéreis e nada criativos. As ideias não servem para nada se elas não ajudarem a conservar o único mundo que temos. Elas tem que ter uma finalidade não podem ser pensadas como um fim em si mesmas.
O pensamento moderno deve se articular em rede é fundamental a criação de uma rede interativa de apoio para a nova geração de preservacionistas. Jeff Corwin é uma cara que vem tentando organizar essa ideia. De acordo com a reportagem da revista Veja ele garante que agressões ao meio ambiente serão divulgadas para o mundo através do seu portal. Depois de ler a reportagem comecei a segui-lo no facebook e no twitter.
Compartilho com ele sobre a ideia de que devemos nos reconectar com a natureza. Se isso é ser dionisíaco em uma linguagem nietzscheana então posso considerar que assim como o filósofo alemão, também sou um discípulo do “Deus Dionísio.”


Abraços a todos os meus leitores inexistentes e que A Força esteja com vocês.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pelo menos eu tento! E você que só reclama e nunca faz nada?

Final de trimestre é sempre uma loucura, mas hoje depois de entregar as notas de alguns alunos resolvi relaxar um pouco. Eu chamo de "Método Kevin McCallister" o personagem de Macaulay Culkin em Esqueceram de mim. "Comer besteira e ver bobagem". Me empanturrei de biscoitos de polvilho e amendoim japonês e assisti a todos os trailers de de filmes de heróis da próxima temporada. Depois assistindo ao Omelete TV #94 descobri um incentivo do governo pra a publicação de HQs. Fiquei muito interessado, pois isto pode me ajudar na publicação do meu projeto sobre os Guardiões do Império Brasileiro - GIB, série de HQs que venho trabalhando nos roteiros recentemente. Encontrei várias informações sobre o Proac HQ no seguinte blog: http://proac23.blogspot.com

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

14 razões para você publicar seu trabalho na internet e não em um livro


  1. Preço - é barato. Você pode montar um blog de graça se você trabalha com textos curtos. Se você quer lançar um romance, mesmo um blog oferece alternativas de publicação. Para publicar um livro, você vai precisar desembolsar uma boa grana e o retorno qualitativo e de resultados tem uma boa possibilidade de ser decepcionante.
  2. Abrangência geográfica – depois de publicado, seu livro corre um enorme risco de ficar encalhado. A distribuição é cara e as livrarias não têm boa vontade com estreantes. Porém, a minha experiência com o Cracatoa foi excelente desde o tempo em que ele era um site. Hoje ele tem o formato de um blog. Mas tenho leitores em todos os continentes. E, acima de tudo, o que eu escrevo paga todos os custos. Coisa que a uma edição de autor de um livro não aconteceria. Eu ficaria no prejuízo e os volumes na garagem. E eu nem tenho garagem.
  3. Total controle sobre seu trabalho – Jorge Luis Borges dizia que um escritor publicava para se ver livre do inferno de reescrever infinitamente. Isso é bom. Mas também é um inferno saber que um grave problema de enredo que você deixou passar ficará eternizado. Na internet, nada mais fácil que reeditar.
  4. Pioneirismo - Muitos já perguntaram se blog é literatura. Bobagem. Quem faz essa pergunta confunde o suporte com a obra em si. Uma garrafa pode ter vinho ou refrigerante. O blog pode ter notícias ou literatura. Ele é um formato ainda a ser explorado. O formato influencia sobre o melhor jeito de atuar sobre ele e você pode ser um pioneiro em novas técnicas e formas de expressão.
  5. Contato direto com seu público – Ainda que você tenha 50 leitores apenas, meu amigo, são 50 leitores. Você poderá ter contato direto com eles. Se você não sabe o que é receber um email ou um comentário de agradecimento por ter escrito um texto que mudou a vida de uma pessoa – verdade ou mentira, exegero ou não -, deveria tentar experimentar essa sensação. Já com o livro, você pode proporcionar efeitos sobre os mesmos 50 leitores mas talvez nem fique sabendo.
  6. É barato para o seu leitor – Depois de muito fuçar, seu potencial leitor encontrou seu livro em uma estante escondida nos fundos da livraria. Ele sopra as teias de aranha e abre as páginas há muito fechadas. Mesmo assim adorou o que encontrou e vai levar para casa. Mas ele terá que pagar. Porém, na internet, ele encontrou seu texto na comodidade do lar e de graça.
  7. Ver o fruto de seu suado trabalho – Eu já disse que você terá total controle sobre sua obra. Mas terá que trabalhar. Terá que divulgá-la. E sem ser invasivo. Fazer seu nome aos poucos. Conhecer sites e blogs literários e até não-literários. Fazer comentários. É um trabalho lento e paciente. Mas se o que você escreve for bom, se você fizer direitinho e com boa vontade, sem desistir e com disciplina e persistência, colherá os resultados. Se, no entanto, você só quer saber de escrever e ficar esperando de boca aberta que alguém importante diga alguma coisa e que você seja descoberto como nos filmes, desista. Isso é romantismo. Seja realista: trabalhe e colha.
  8. Fazer uma experiência – Muito bem, você é inédito e talvez só tenha a opinião de sua mãe e de alguns amigos. Se depois de tudo isso você ainda quer se ler em livro, não acha que é uma boa idéia testar os seus escritos com pessoas menos comprometidas com você? Antes de investir os seus trocados em uma suada edição de autor, com uns mil exemplares, é uma boa estratégia.
  9. Não precisar apelar para Leis de Incentivo – Leis de Incentivo, da forma como elas são hoje, não são éticas. O custo de publicar na internet, como eu já disse, pode ser zero e você não vai precisar lesar o contribuinte ou se meter com algum tipo de máfia.
  10. Você não precisa de um jornalista para dizer que seu trabalho é bom – Você publica, você divulga e a sua obra chega a seu leitor sem intermediários e sem precisar do aval de um caderno de cultura. Não importa quantos leitores sejam – cinco, quinhentos ou cinco mil – se você trabalhar com atenção, eles virão.
  11. Não prestar contas a ninguém – É comum que a editora peça para escritores mexerem em seus textos. Às vezes é necessário cortar um capítulo inteiro. Esse é o trabalho do editor: com uma visão crítica, deixar tudo ainda melhor. Mas nem sempre esses cortes são feitos em nome da estética. Editoras podem ter critérios que vão dos legais aos financeiros e creio que esses não interessam a você. Publicando em um site próprio, você só precisará responder a suas próprias expectativas.
  12. Aprender coisas novas – Grandes artistas, além de sua própria arte, conhecem ainda que superficialmente uma secundária. Se você quiser uma boa apresentação para o seu texto, vai acabar tendo que aprender um pouco sobre design para web e sobre programação. Nada drástico, mas isso entra no item “ter total domínio sobre seu trabalho”. Se preferir, poderá investir uma parcela do que gastaria com uma edição de autor pagando um designer. Pessoalmente, prefiro aprender sobre o assunto.
  13. Fama – Sim, eu sei. Você escreve para engrandecimento da sua arte sem nenhum interesse. Mas algum reconhecimento pessoal sempre é bom, ainda que pequeno. Todo mundo gosta.
  14. Dinheiro – Não pense em ficar rico. Ainda. Mas você, hoje, tem a opção de colocar anúncios em seu site que, com um pouco de conhecimento, podem pagar a hospedagem ou, com um pouquinho mais de conhecimento, render o suficiente para pagar também uma modesta gandaia de fim de semana. Todo bom escritor merece.
FONTE: http://livroseafins.com

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ENSINO DE FILOSOFIA COM O HOMEM-ARANHA

Katie Connolly

Durante anos, os fãs dos quadrinhos do Batman têm ficado intrigados com um mistério no coração da série: por que Batman não apenas mata seu arqui-inimigo, o Coringa?

Os dois se envolveram em um jogo prolongado de gato e rato. O Coringa comete um crime, Batman pega, o Coringa é preso e, em seguida invariavelmente escapa. Será que tudo isto não seria muito mais simples se Batman apenas matasse o Coringa? O que o impede?

É assim que o filósofo Immanuel Kant e a teoria deontológica de ética vêm sendo introduzidos no ensino. Pelo menos, é assim que a discussão avança em um crescente número de aulas de filosofia em os E.U.A..

Estudos culturais e de mídia abriram caminho para as universidades incorporar a cultura pop em seu currículo. Atualmente não é raro encontrar uma classe de estudos de televisão ao lado da literatura do século 17 nas listas de cursos de um departamento de Inglês.

Agora, professores de filosofia têm encontrado nos super-heróis e nas histórias em quadrinhos ferramentas extremamente úteis para ajudar os estudantes a pensar sobre os complexos debates éticos e morais que os filósofos têm se ocupado por séculos.

Além disso, os super-heróis estão atraindo os alunos a uma disciplina, muitas vezes associada a livros bolorentos, cotoveleiras de camurça e gravatas borboleta.

Tradição socrática

William Irwin, professor de filosofia no King's College, na Pensilvânia, edita a série Filosofia e Cultura Pop, que inclui títulos como Simpsons e a Filosofia, Batman e Filosofia, e X-Men e Filosofia (a maioria deles publicados aqui no Brasil pela editora Madras).

Ele diz que não há nada de anormal sobre o uso de referências populares para ilustrar as teorias complexas. “Isto é o que a filosofia tem tentado fazer desde o começo”, diz ele. “A filosofia começa com Sócrates nas ruas de Atenas, levando sua mensagem ao povo e falando na língua deles – com analogias agrícolas e usando a mitologia comum a todos”.

Através dos séculos, porém, os filósofos recuaram na academia, criando um vocabulário complicado que pode parecer inacessível ao estudante universitário médio do primeiro ano - os “deontológica” da ética por exemplo.

Christopher Bartel, um professor adjunto de filosofia na Universidade Estadual Appalachian, pede aos alunos para ler a graphic novel Watchmen, a fim de explorar questões sobre metafísica e epistemologia.

Em uma das aulas, ele usa o personagem do Dr. Manhattan, que afirma que tudo - incluindo a psicologia das pessoas - é determinada através de todas as leis da física de causalidade. Prof. Bartel usa isto para ensinar as teorias do determinismo e do livre arbítrio e as responsabilidades morais decorrentes dessas visões de mundo.

Prof. Bartel diz que seu curso - Filosofia, Literatura, Cinema e Comics - é uma “ferramenta de recrutamento fantástica”, e que seus alunos passam a especializar-se em filosofia mais que os alunos de qualquer dos seus outros cursos.

“Eu geralmente tenho alunos que lêem Platão, Aristóteles e Hume na introdução dos cursos de filosofia. Muitas vezes, acho interessante, mas fico com medo pela distância de quão difícil é ler o material,” o Prof. Bartel, disse à BBC.

“Quadrinhos podem fornecer ilustrações muito boas dessas idéias filosóficas sem assustá-los.”

Ele diz que sempre há alunos que acham que o curso vai ser apenas uma simples classe A, mas logo percebe que, apesar da diversão do material, o trabalho é muito sério.

Grande poder, grande responsabilidade?

Para Christopher Robichaud, que ensina ética e filosofia política em Harvard Kennedy School of Government e na Universidade Tufts, super-herói baseado em experiências de pensamento podem ajudar as pessoas a lidar com os dilemas éticos de uma forma sentimental.

O tio de Peter Parker Ben disse a ele que, com grande poder vem uma grande responsabilidade, um axioma que tematicamente se repete ao longo da série. Imagine, por exemplo, que você é Peter Parker (Spider-Man) e você acabou de descobrir que tem superpoderes. Você tem a obrigação moral de usar seus poderes recém-descobertos para ajudar os outros?

Em um ensaio publicado pelo o Prof. Robichaud ele usa essa pergunta para explorar consequencialismo, uma abordagem à moralidade que, como o nome sugere, os juízes da correção ou incorreção de uma ação baseada unicamente em seus resultados. Um consequencialista provávelmente argumentaria que Peter Parker tem uma responsabilidade moral de ser o Homem-Aranha, porque essa decisão traria o bem maior. Mas Peter Parker também era um talentoso cientista, portanto, um consequencialista não poderia argumentar que para cumprir a sua vocação científica poderia ser uma escolha igualmente válida para ele. Talvez continuar a ser o Homem-Aranha esteja acima e além da chamada do dever - a resposta é obscura.

A conversa não termina com os super-heróis, é claro. Prof. Robichaud incentiva os alunos a tomar a estrutura que eles aprenderam e aplicá-la a decisões em suas vidas pessoais e profissionais. Mas ele diz que é uma forma neutra de começar a falar sobre as questões éticas que as pessoas costumam achar provocadoras ou conflitantes.

“Ética é uma daquelas coisas difíceis de ensinar, porque para muita gente, as respostas são muito pessoais”, disse o Prof. Robichaud a BBC. “Se você fala sobre exemplos artificiais em primeiro lugar, então as pessoas permitem a si mesmas pensar um pouco mais e sentem-se seguras e esclarecidas sobre questões éticas."

O desafio

A incorporação de super-heróis em um currículo de filosofia não é isenta de críticas. Quando acadêmicos lutam para preencher lugares em suas aulas de poesia medieval, enquanto seus colegas estão levando os estudantes embora para os cursos embalados na retórica mítica dos super-heróis, os deboches em salas compartilhadas, são de se esperar.

O professor Mark White, da Universidade da Cidade de Nova York diz que ele tem certeza que o seu trabalho em Batman e filosofia “desperta algumas risadas em” corredores, mas ele tem o cuidado de salientar que ele não está ensinando a filosofia de histórias em quadrinhos, ele está usando histórias em quadrinhos para ensinar filosofia.

O Sr. Irwin concorda, e descreve uma distinção entre o seu trabalho e o dos teóricos culturais. “Os estudos culturais saindo fora do Reino Unido levam muito a sério a cultura popular como objeto de estudo," disse à BBC o senhor Irwin.

“Nós não estamos dizendo que o cânon dos livros em quadrinhos Superman é equivalente a Homero e Dante, e você pode estudá-las para seu próprio bem. Nós não estamos sugerindo que quadrinhos substituir Platão e Descartes – de maneira nenhuma. O objetivo é sempre receber as pessoas interessadas em filosofia, falando primeiro lugar em termos que as pessoas estão familiarizadas."

Prof. Robichaud tem pouca paciência para os críticos que dizem que este trabalho barateia o estudo da filosofia tradicional.

“O tipo de filosofia que eu faço - filosofia analítica - que utiliza o pensamento experiências o tempo todo”, diz ele. “Se os exemplos que estão chamando de ficção são exemplos da cultura popular, enquanto que no serviço de boa filosofia, quem se importa? Quem se importa se o exemplo é de Middlemarch ou Watchmen?”

Shaun Treat, que leciona na Universidade do Texas Norte, não é incomodado por críticos “intelectuais”. Para ele, a prova está em no retorno dos alunos.

Após anos de ensino tradicional de debates, como Hobbes versus Locke, ele diz, “é incrível o quanto os alunos estão mais interessados e engajados quando lhes colocar em capa e calças justas e tê-los slug it out”.

Tradução de Luiz Felipe H. Piccoli

Texto escrito por Katie Connolly. Ensino de filosofia com o Homem-Aranha. BBC News, Washington. Em 12 agosto de 2010 Atualizado às 06:24 GMT

Publicado em: http://www.bbc.co.uk.news/world-us-canada-10900068

quinta-feira, 29 de julho de 2010

HORÁCIO QUIROGA – DECÁLOGO DO PERFEITO CONTISTA

I – Crê num mestre – Poe, Maupassant, Kipling, Tchekhov – como na própria divindade.

II – Crê que sua própria arte é um cume inacessível. Não sonha dominá-la. Quando puder fazê-lo, conseguirás sem tu mesmo o saibas.

III – Resiste quanto possível à imitação, mas imita se o impulso for muito forte. Mais do que qualquer coisa, o desenvolvimento da personalidade exige uma longa paciência.

IV – Nutre uma fé cega não na ta capacidade para o triunfo, mas no ardor com que o desejas. Ama tua arte como amas tua amada, dando-lhe todo o coração.

V – Não começa a escrever sem saber, desde a primeira palavra, onde vais. Num conto bem-feito, as três primeiras linhas têm quase a mesma importância das três últimas.

VI – Se queres expressar com exatidão esta circunstância – “Desde o rio soprava um vento frio” –, não há na língua dos homens mais palavras do que estas para expressá-la. Uma vez senhor de tuas palavras, não te preocupa em avaliar se são consoantes ou dissonantes.

VII – Não adjetivas sem necessidade, pois serão inúteis as rendas coloridas que venhas a pendurar num substantivo débil. Se dizes o que é preciso, o substantivo sozinho, terá uma cor incomparável. Mas é preciso achá-lo.

VIII – Toma teus personagens pela mão e leva-os firmemente até o final, sem atenuar senão para o caminho que traçaste. Não te distraias vendo o que eles não podem ver ou o que não lhes importa. Não abusa do leitor. Um conto é uma novela depurada de excessos. Considera isso uma verdade absoluta, ainda que não o seja.

IX – Não escreve sob o império da emoção. Deixa-a morrer, depois a revive. Se és capaz de revivê-la tal como a viveste, chegaste na arte, à metade do caminho.

X – Ao escrever, não pensa em teus amigos nem na impressão que tua história causará. Conta como se teu relato não tivesse senão para o pequeno mundo de teus personagens e como se tu fosses um deles, pois somente assim obtém-se a vida num conto.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

As histórias daqueles que contam a História do Brasil

“A História do Brasil é uma peça monumental.
Os atores somos todos nós. Escolha o seu papel.”
Eduardo Bueno

Nessa peça que é a história atualmente desempenho o papel de um professor. Minha vida, para variar está uma loucura, como sempre. Virei professor do estado do RS, pela 28º CRE. Estou lecionando em seis escolas diferentes do município de Alvorada, não só Filosofia, minha especialidade, mas as mais variadas disciplinas: História, Geografia, Sociologia e Artes. Como não sou de me mixar para desafios estou encarando a bronca e fazendo o meu melhor para dar conta do recado. Tenho me preparado estudando muito e venho pesquisando sobre todos os assuntos incansavelmente. O que mais tem me dado prazer ao pesquisar é sobre a História do Brasil, especialmente o período imperial que me interessa muito para os meus dois maiores projetos literários em desenvolvimento. Um deles é um romance histórico narrando a saga de uma família moradora de uma cidade fictícia do interior. O outro é uma história em quadrinhos com personagens clássicos da literatura.
À medida que resultados interessantes forem surgindo dessas pesquisas publicarei aqui no meu blog. Não divulguei o site para meus alunos ainda justamente por não postar material com regularidade. Pretendo aproveitar as “longas férias” de uma semana para dormir o mínimo possível e colocar algum material de qualidade no ar. Hoje entre outras coisas estou pesquisando sobre a Guerra do Paraguai e os mitos (não confundir com mitologia) da História do Brasil.
Tenho procurado livros alternativos que despertem o interesse dos estudantes principalmente em autores que fogem da historiografia tradicional. Enquanto a historiografia tradicional ocupa-se em difundir relatos e registros históricos documentados, baseados em grandes nomes e em importantes datas a serem decoradas, sem muita análise ou reflexão sobre os fatos, um grupo de jornalistas e novos historiadores e vem tentando mudar esse cenário rígido e árido.
Esta semana concluirei a leitura do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil do jornalista Leandro Narloch, um livro fascinante, tenho devorado as páginas desde que comecei a ler, apresar de estar gostando da abordagem tenho certas dúvidas sobre a veracidade das informações fornecidas ali, elas vão contra tudo o que normalmente aprendemos, e agora no meu caso, ensinamos sobre a História do Brasil, mas é fundamental que novos pontos de vista surjam e já estava na hora das visões, seja da direita militar ufanista, seja das interpretações radicais da esquerda marxista, receberem um grande ponto de interrogação. Infelizmente no momento não tenho como checar as fontes, mas novas portas foram abertas. Não ficarei com um monte de dúvidas sozinho passarei-as adiante aos alunos e espero que boas discussões surjam. Se no primeiro, sobre a relação dos indígenas com os portugueses, a afirmação de que os próprios índios e não os colonizadores foram os maiores responsáveis pela morte de índigenas, principalmente em guerras internas, não me causou espanto. O segundo capítulo dizendo que os negros não eram unidos e possuíam os seus próprios escravos tampouco teve este efeito. O capítulo sobre a Guerra do Paraguai, completamente diferente dos livros didáticos oficiais, e o que descreve Aleijadinho como um personagem literário são os mais inquietantes. O capítulo sobre os nossos grandes escritores e as bobagens que eles falaram é o mais decepcionante. Resume-se a contar algumas fofocas, Machado de Assis trabalhou como sensor de teatro, José de Alencar era contra a abolição, Jorge Amado admirava o comunismo mundo a fora, especialmente o do camarada Stalin, Graciliano Ramos escreveu que o futebol não seria um esporte popular no Brasil e Gilberto Freyre admirava a Ku Klux Klan na época da faculdade, tudo muito superficial e sem grande relevância. A imagem que chegou até nós de Aleijadinho pode até ser falsa, mas que Santos Dumont não inventou o avião e sim os tal irmãos Wright, essa eu não engulo. Já pesquisei muito este assunto no passado e não existem provas documentais do vôo dos norteamericanos, haviam poucas testemunhas na época, e todas elas são questionáveis, quem dúvidar que faça sua própria investigação. Para quem quiser dar uma olhada no resumo da obra saiu uma matéria na Super Interessante de Junho/2010, do mesmo jornalista autor do livro, Leandro Narloch, que toma como base esse trabalho para falar sobre 19 mitos do Brasil.
Outro autor que tenho lido para utilizar em minhas aulas é Eduardo Bueno, para quem não conhece, ele é um jornalista gaúcho que tem se dedicado a escrever livros sobre a História do Brasil. Ficou famoso nacionalmente ao traduzir On the Road de Jack Kerouac (que li recentemente, qualquer hora publico minhas impressões). Tenho usado bastante o livro dele História do Brasil (1999) que saiu em fascículos pela Zero Hora. Aproveitando o contexto de preparação das comemorações pelos 500 anos do descobrimento do Brasil, ele fechou contrato com a Editora Objetiva para a redação de cinco livros sobre História do Brasil voltada para leigos, a Coleção Terra Brasilis. Os livros da série publicados pelo autor até agora são:
- A Viagem do Descobrimento (1998);
- Náufragos, Traficantes e Degredados (1998);
- Capitães do Brasil (1999);
- A Coroa, a cruz e a espada (2006);
- A França Antártica (a ser lançado) .
Gostaria muito de ler esses títulos, mas já estou sobrecarregado esse ano, acho que só ano que vem quando ensinar sobre o descobrimento terei tempo para lê-los. Por enquanto fico só com a resenha dos dois primeiros feita por Virgínia de Jessus Silva que reproduzo parcialmente abaixo:

"A primeira narrativa, A Viagem do Descobrimento - A Verdadeira História da Expedição de Cabral, trata, em forma de aventura, da busca de um novo mundo pelos portugueses. Podem ser vislumbrados detalhes sobre a viagem; o cotidiano dos homens que acompanhavam Cabral (tais como aventureiros, soldados, sacerdotes e degredados); além de curiosidades sobre quanto recebiam, como se alimentavam e os propósitos que os moviam, assim como os dos homens que, longe de estarem sofrendo as vicissitudes da viagem, eram os responsáveis pelos planos que acarretaram na expansão marítima portuguesa.
A segunda, Náufragos, Traficantes e Degredados - As Primeiras Expedições ao Brasil, aborda detalhadamente o período de nossa história compreendido entre 1500 e 1531. Período esse escasso de registros e estudos, no qual é retratada a saga vivida pelos primeiros europeus que aqui chegaram; de que maneira eles terminaram por constituir-se nos primeiros brasileiros, já que segundo o autor, sua atuação direta nos acontecimentos, como por exemplo, no comércio indiscriminado de pau-brasil ou na exploração do Prata (dentre tantos outros) vai colaborar na definição dos caminhos do iminente país.
Nessas obras, portanto, o leitor se depara com uma narrativa povoada dos mais variados detalhes acerca de nossa história colonial. A linguagem que o autor utiliza termina por suscitar imagens e o leitor consegue assim, sentir e vivenciar os acontecimentos narrados. A linguagem é atrativa, bem-humorada, detalhada, prendendo o leitor e o instigando a conhecer e entender o contexto que movia os homens da época, seus desejos, suas relações, as forças políticas e econômicas que atuaram na expansão marítima e conseqüentemente em nossa história."

Tenho atulamente no trabalho de Eduardo Bueno uma das minhas referências, pois ele assume o papel de contador de histórias ao fugir do modo tradicional dos livros didáticos e do tom acadêmico. Ele se preocupa mais em informar as curiosidades e peculiaridades de nossa história dando a ela atualidade e vivacidade. Ele liberta a história dos bancos de escola, através de uma linguagem narrativa ágil e dinâmica. Outro mérito de Eduardo Bueno é o de destituir a história enquanto monumento, estratégia que nos remete ao pensamento de Friedrich Nietzsche, em suas Considerações Extemporâneas, ao fazer uma breve explanação sobre a história monumental, definindo-a como a história dos mitos, dos grandes homens, dos fatos e heróis oficiais. Bueno ao recontar a história resgata personagens que sempre foram considerados secundários ou até apagados pela historiografia tradicional.
As críticas que Eduardo Bueno normalmente recebe são que ele é superficial e adota uma noção primária factual de processo histórico e não vai direto as fontes reescrevendo o passado com interepretações muito pessoais. Muito do mérito do escritor é o de fazer emergir no leitor o interesse em entender o passado da nação e seus personagens principais e secundários que forma a nossa identidade cultural. Eduardo Bueno consegue cumprir esse papel dando início a um processo de analise e critica contemporânea sobre constituição e invenção de um “novo” passado para o Brasil. A história que iremos contar daqui para frente cabe a nós, os novos leitores do passado.


REFERÊNCIAS

BUENO, Eduardo. História do Brasil. Porto Alegre: Zero Hora, 1999.

NARLOCH, Leandro. Guia Politicamente incorrero da História do Brasil. São Paulo: Leyla, 2009.

SILVA, Virgínia de Jesus. O lance de Eduardo Bueno: entre o discurso historiográfico e o romance de aventura. 2001. Disponível em: . Acesso em: 22/07/2010.



quarta-feira, 9 de junho de 2010

DELEUZE, O FILÓSOFO DA DIFERENÇA

Há muito tempo comecei a escrever esse blog, principalmente para servir como instrumento auxiliar nas minhas aulas de Filosofia na escola particular onde leciono. Mas nunca encontrei tempo, inspiração, coragem, ou um pouco de ambos para escrever como gostaria. Confesso que em parte era por não saber o que gostaria de dizer ou por não querer dizer algo que me comprometesse profissionalmente. Mas hoje à noite, durante uma palestra de Roberto Machado sobre o pensamento de Deleuze, me senti convidado a escrever. Já atuo a mais de um ano nesta escola e sinto que posso abordar nesta página os assuntos sobre os quais eu penso sem levar a uma deterioração da minha carreira como professor. Pretendo a partir de agora publicar semanalmente fazendo uma cartografia do meu próprio pensamento intelectual publicando as principais descobertas e pensamentos produzidos no campo da Filosofia.
Roberto Machado disse que o seu interesse no evento desta noite era chamar atenção para o processo de criação do pensamento de Gilles Deleuze (1925-1995). Em sua abordagem ele tentou expor principalmente qual é o procedimento utilizado por Deleuze para pensar. Um dos pontos mais destacados por Machado é que a melhor maneira de definir o pensamento de Deleuze é como uma Filosofia da diferença.
Em 1968, Deleuze apresenta como tese de doutoramento Diferença e Repetição (Différence et répétition), orientado por Gandillac, na qual critica o conhecimento via representação mental e a ciência derivada desta forma clássica lógica e representativa. Machado considera que este é o principal trabalho do autor francês, estando já nele presentes todas as suas principais teses. De acordo com o pensamento de Deleuze a Filosofia não está num nível mais elevado que os outros saberes. A Filosofia não é superior hierarquicamente às outras ciências, ou a arte. Ela também não é uma meta linguagem que se destina apenas a legitimar ou comentar a produção realizada em outras áreas. Portanto, Filosofia não é um falar superior mais elevado que se refere a saberes inferiores. O palestrante, em sua posição pessoal, segue o pensamento de Foucault na arqueologia do saber e considera que a Filosofia Moderna é inaugura com o pensamento de Kant e não com Descartes como tradicionalmente se considera.
A questão do trágico (tema que abordei em minha dissertação de mestrado especificamente dentro do pensamento de Nietzsche) é um problema que aparece a partir da noção de sublime. A condição de possibilidade para que o trágico tivesse nascido é o pensamento de Kant. O trágico é um conceito moderno que só se explica pela concepção estética kantiana. É com a filosofia de Kant que aparece a diferença entre o empírico e o transcendental. Deleuze é um filósofo em certa medida muito kantiano. Por outro lado ele se difere, pois sua Filosofia não é uma continuidade de um discurso sobre algo. Para Deleuze filósofos, cientistas e artistas são todos pensadores. Mas pensamento não é exclusividade da Filosofia. Filosofia em Deleuze é criação de pensamento. A ferramenta utilizada pelo filósofo para criar pensamento é o conceito. Uma palavra não é um conceito. Uma mesma palavra pode esconder conceitos diferentes. Substância, por exemplo, é um conceito aristotélico, assim como o conceito de duração adquire nova conotação no pensamento de Bergson. Um exemplo novo de conceito utilizado por Deleuze é o conceito de persepto. A ciência produz funções. A arte produz percepções. A arte é algo que fica, que tem concretude. A percepção se esvaece. A arte tem algo que fica. Ela é eterna enquanto dura. Tem eternidade presente. A arte também tem uma relação com o afeto que não compreendi bem. Roberto Machado para explicar o que estava dizendo utilizou como exemplo conto A estepe de Tchekhov, além deste exemplo falou sobre Marcel Proust (1871-1922) e citou alguns acontecimentos dos volumes de Em busca do tempo perdido (No caminho de Swann (I), Sodoma e Gomorra (IV), A prisioneira (V)). Como não li estas obras não compreendia as relações estabelecidas. Destaque para a frase: “Quem não leu Proust está morto!” Outros comentários foram relacionados a teoria estética presente na obra, ao desenvolvimento da questão do homossexualismo e ao amor e a necessidade do ciúme para que ele exista. “O amor ama para ter ciúme.”
A definição de Filosofia como criação de conceitos aparece no livro “O que é Filosofia?”. Deleuze utiliza pensamentos não filosóficos para se nutrir. Ele cria pensamento com um instrumento específico o conceito. Há interferências entre os mesmo temas nas diferentes áreas do saber. Os outros sabres não precisam da filosofia para se legitimarem. A Filosofia não tem nada a ensinar a eles. Cada saber procura desenvolver com os seus próprios meios um problema semelhante. Em oposição a uma história da filosofia, Deleuze faz uma geografia. Ele procura realizar a constituição de espaços.
Os grandes filósofos criam os próprios conceitos. Os conceitos não são desvelados, são criados. O filósofo faz nascer algo novo. Essa é uma noção que Deleuze se apropriou de Nietzsche. Que conceitos Deleuze criou?
Identidade e Diferença da Filosofia em relação aos outros saberes não são conceitos criados por ele, mas trabalhados com contribuição.
A filosofia de Deleuze é um sistema de relações conceituais. Nietzsche mesmo não sendo um autor sistemático cria um sistema de relações conceituais. Toda filosofia é a criação de um sistema de relações conceituais. Deleuze não é um filólogo toda vez que se utiliza o pensamento de outro autor ele está interessado em saber como é que esse autor produzia os seus próprios pensamentos. Ele não queria ser um historiador da filosofia. Suas três maiores influências são Nietzsche, Espinosa e Bergson. Deleuze roubando conceitos dos outros filósofos faz a sua própria filosofia. Deleuze é um filósofo da imanência, não da transcendência. De Nietzsche ele se a apropria dos conceitos de vontade de potência e de eterno retorno enquanto que de Bergson ele pega os conceitos de virtual e atual. Ele tira ouro do nariz de outros filósofos. Ele procura a heterogênese, a gênese da diferença a condição genética. A filosofia de Deleuze é um sistema. Alguns conceitos são oriundos de outras filosofias. Outros são suscitados pelas outros saberes como cinema, literatura e pintura.
Em Hegel o conceito de história tem um papel fundamental. Há no pensamento hegeliano uma tese sobre o progresso da história das ideias. A história do pensamento seria o itinerário em direção a verdade. O posterior é sempre superior em seu pensamento. Em Hegel Moralidade surgiu depois, com o cristianismo, portanto é superior a Eticidade que entre os gregos já existia. Hegel não tinha nostalgia da Grécia.
Outra chave de leitura apresentada por Roberto Machado para adentrar o pensamento de Deleuze é compreendê-lo como uma diretor de teatro do pensamento. Deleuze diferente de Hegel e Foucault não é que ele não soubesse bem os outros autores da filosofia. Ele não queria saber. Ele usa o conceito dos outros para alimentar o seu próprio pensamento. De acordo com Deleuze, por exemplo, as três maiores questões em Foucault são: o poder, o saber e o sujeito. Ele diz isso porque esta conclusão serve aos seus propósitos. O conceito de representação é muito importante também, enquanto que para Descartes conhecer é representar em Kant pensamento não é conhecimento. Kant desferiu um golpe na metafísica, mas ela sobreviveu. Para Kant é preciso fazer uma síntese entre pensamento e representação, criar um espaço ideal onde se coloca alguns pesadores e não se colocam outros. Nesse espaço é preciso criar o novo. Criar um novo pensamento filosófico. Representação para Deleuze é o privilégio da identidade. Nesse sentido Deleuze é kantiano porque Kant criou a diferença transcendental. Representar é reduzir a diferença para criar a singularidade. No cinema de Godar que influenciou o pensamento de Deleuze aparecem imagem com som diferente. Não há identidade entre som e imagem. Fala do que não se vê e se vê uma imagem que não fala. Enfim para compreender o pensamento de Deleuze é preciso falar contradições que possuem sentido. A arte da Filosofia é ver o invisível. A música deve ouvir o inaudível. Devemos para ser inovadores dizer o indizível e pensar o impensável.

Deleuze como estabelece como critério entre o que tem valor e o que não tem em sua filosofia a questão da diferença. Criação de espaços. A paisagem vê. Cezane, por exemplo, ele inaugura a modernidade na pintura. Ele pintava a mesma paisagem sempre e fez isso a vida toda. Pois a paisagem não era a mesma. Deleuze nesse movimento opondo os conceitos de Ética e Moral é contra a segunda, pois era contra a ideia de julgamento. Deleuze era critico da ideia de que a vida pode ser julgada. Seria necessário estar fora da vida para fazermos isso. Enquanto que a moral é um sistema de juízos pré-estabelecidos a ética tem sentimentos, afetos, temporalidade que fazem da pessoa um duplo e não um idêntico. Um duplo sem semelhança.
O pensamento sem imagem é o pensamento da diferença.
Exemplo de pensadores pluralista: Nietzsche. Nietzsche é um pensador da diferença e da singularidade.
Imagem sem pensamento é a representação.
Exemplo de pensadores dogmáticos: Hegel. Hegel é um pensador da representação e da universalidade.
Simulacro é uma palavra utilizada para pensar a diferença quando Deleuze fala em termos platônicos ele usa essa palavra. A palavra pode mudar mas o conceito continua.
Fazer filosofia é passear com um saco. É botar dentro o que serve e deixar fora o que não serve. Além de uma geografia do pensamento. Deleuze faz um teatro filosófico. Onde ele coloca como atores todos os filósofos que quer que façam parte do seu elenco. Um dramaturgo que escreve as falas e dirige os pensadores. Ele diz através deles o que ele quer dizer. Com esse movimento ele traz o pensamento do outro para o seu próprio teatro. É preciso ensaiar muito para atuar como um ator do próprio pensamento. Foucault escreve muito bem sobre Deleuze em um texto justamente chamado de Teatrum Filosóficum. Deleuze é um filósofo da torção. Ele diz que o eterno retorno é uma linha reta, enquanto Nietzsche diz que é um circulo. Nietzsche não faz diferença entre força e vontade de potência. Na interpretação de Deleuze força é diferente da vontade de potência. Qualquer livro de Deleuze é uma nova interpretação. Seu estilo literário é o discurso indireto livre. O discurso de Deleuze está entre Platão e Nietzsche, seguindo Nietzsche em oposição a Platão.

Por enquanto foi isso que entendi do pensamento de Deleuze e essas foram as anotações que fiz durante a fala de Roberto Machado no Unisinos na sala 1G119 no dia 09 de Junho de 2010 às 19h. E que este texto sirva como expresssão de uma tentativa proustiana de ir em busca do tempo perdido.

Quem quiser saber mais pode acessar O Abecedário de Gilles Deleuze no site:

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A corrente da vida



Existem dois jeitos de continuar “vivo” após a morte. Um deles é através dos descendentes. Tendo filhos, passamos nossos genes e continuamos a existir sendo um dos elos que forma uma grande corrente. Geração após geração ela irá crescer e seremos sempre parte do passado.

O outro é através das obras. Do trabalho de uma vida. Nas artes, por exemplo, a competição entre os diferentes artistas estimula a produção local de obras. Os melhores exemplares são levados para competir com os melhores exemplares de outros lugares. E assim, nas competições artísticas, são eleitos os melhores do mundo. Quem vence uma disputa local ganha a oportunidade de enfrentar um desafio ainda maior. E se o tempo for generoso fica por mais de algumas gerações influenciando as mentes e afetando os corações humanos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Citação # 7

Em todo o caso, para que a humanidade não se destrua com um tal governo global consciente, deve-se antes obter, como critério científico para objetivos ecumênicos, um conhecimento das condições da cultura que até agora não foi atingida. Esta é a imensa tarefa dos grandes espíritos do próximo século.
Friedrich Nietzsche - Humano, demasiado humano. I-I-25.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Frase da Semana # 10

If you want to build a ship, don't drum up people together to collect wood and don't assign them tasks and work, but rather teach them to long for the endless immensity of the sea.