sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O OLHO ABERTO DA CORUJA

A filosofia começa pelo homem. Em filosofia está sempre presente em primeiro lugar um homem que se esforça para compreender a realidade. Compreender e produzir uma interpretação, uma leitura da realidade que está diante de si, seja ela uma construção humana ou natural. A certeza mais absoluta que o homem possui em sua vida é que ela terá um fim e deixará de existir como ele a conhece, esse evento que causa a interrupção da vida é comumente chamado de morte. Muitas são hipóteses levantadas até hoje sobre o que ocorre depois desse momento. Pela impossibilidade de dados para sua análise não cabe aqui discorrer sobre elas, no entanto a crença em uma continuidade, a esperança na imortalidade da alma, determina o modo como à vida é vivida e encarada. Portanto, esta página se limita a falar sobre a vida, a vida e as formas de se relacionar com ela, seja considerando-a como a maior das dádivas ou como o pior dos castigos. Sou um leitor e admirador do filósofo Nietzsche. Nietzsche é um filosofo da existência e ousou pensá-la refletindo como os gregos a encararam, para assim perceber as possibilidades de reverenciá-la ou criticá-la em seu tempo, a Alemanha do século XIX. Esse fim, ou essa transitoriedade da vida faz dela um evento trágico em si? Talvez. Em um movimento dialético percebemos que é só pela possibilidade da sua ausência que a sua presença se torna um valor. Se a vida fosse eterna não seria vida, seria outra coisa a ser pensada, então podemos dizer que faz parte da sua essência a sua finitude, ou melhor, ela só é corretamente compreendida tendo o seu termino em vista. Dando voz as pulsões que emanavam de seus temores os gregos buscaram construir imagens belas e símbolos de superação de si. Diante da transformação ou do absurdo da ausência de significado imanente em um caráter ontológico, os gregos são dotados de destacada singularidade por serem representantes de um mundo trágico, em que o sofrimento pode ser transfigurado, e ao transformarem o que poderia ser apenas dor e pesar, em algo belo, fizeram com que a vida ganhasse um novo significado e passasse a ser arte.

Um comentário:

Maria Xavier disse...

Me lembra isso: http://efeitotruman.blogspot.com/2005/04/morteliberdadevida.html